Nos últimos anos, meio sem querer, acabei criando uma tradição nesse período de fim/início de ano, a de ler uma obra de Dostoiévski. Há uma boa explicação para isso, suas obras costumam passar facilmente das 700 páginas, o que complica um pouco conciliar sua leitura com as atividades do dia a dia. Nessa brincadeira li nos últimos anos, “Crime e castigo”, “O Idiota” e “O jogador”, que tem o volume bem menor que os citados, mas nem por isso é menos genial.
O velho Dostoiévski tem, como poucos autores, a incrível capacidade de envolver o leitor em suas histórias. Para quem inicia em sua obra há nos primeiros capítulos uma certa dificuldade com os nomes russos e suas variações, mas nada que um pouco de insistência não possa vencer. Depois você já se envolveu na história e aí o difícil é largar o livro.
O que mais me atrai em seus livros é a descrição apurada da personalidade das suas personagens. A partir delas as tramas ganham forma, como uma grande teia, como um tecido espesso e bem trabalhado, que se forma a partir de fios finos e frágeis. Ao longo de cada livro, conhecemos bem a personalidade de cada uma e como suas ações pouco a pouco vão se fundamentando.
Nada acontece por acaso, todos os acontecimentos importantes são cercados por um conjunto situações e de sentimentos muito bem detalhados. O autor descreve como as ações se constroem pouco a pouco na cabeça de cada um, a partir do contexto vivenciado, a partir do lugar social em que estão inseridos e como após cada acontecimento, os costumes e valores interferem nas ações individuais, indo do cálculo que precede cada ação até o desenrolar das suas conseqüências.
Dostoiévski dá alma às personagens, fala do individual, mas de forma universal. Em sua forma de escrever pouco importa se suas histórias se passam na Rússia do Século XIX ou em qualquer outra parte, pois, o autor ao retratar os valores humanos e os dilemas vivenciados individualmente, ultrapassa as fronteiras espaciais e também, porque não dizer, temporais, dialogando com pessoas de todas as épocas.
Se você ainda não leu, vale a pena ir a uma biblioteca ou procurar alguma de suas obras na internet. Existem, também, algumas comunidades no Orkut nas quais se discutem a obra do autor. #ficaadica
P.S. Esse texto foi reencontrado numa pasta do meu HD, escrito no fim de 2010, achava que já o tinha postado aqui, na verdade não tenho certeza. Reli rapidamente, aparei umas duas arestas e foi.




