Então, é natal?

Até onde entendo, as comemorações natalinas têm sua origem na tradição cristã, como momento de comemorar o nascimento de Jesus. Logo, deveria ser um momento de reflexão, paz e alegria junto àqueles que mais amamos e junto às nossas comunidades.

Ao longo do tempo, assim como quase tudo que conhecemos, essa tradição foi incorporada aos modos e costumes do regime capitalista – aquele sistema que visa o lucro e dá personalidade a objetos inanimados, tornando-os muitas vezes mais importantes que as pessoas – hoje em dia o natal representa, em grande medida, um momento de exacerbação do consumo.

O apelo pelo consumo afeta principalmente as crianças, que desde cedo aprendem que esta época do ano é o momento de ganhar presentes. Vejo com tristeza muitos pais alimentando esse sentimento que não gera outra coisa a não ser uma ambição desenfreada nos pequenos, desde a época inicial de suas vidas.

Nada contra dar presentes, mas acho que o consumo não deveria ser o ápice dessa época. Vamos valorizar mais as pessoas e não os objetos, valorizar mais a reflexão que a ambição, valorizar mais o desapego material que o consumismo.

Mesmo não sendo religioso, gosto da tradição do natal, principalmente nos momentos em família, dos reencontros, das festas e da comilança também. Sobretudo, acredito que essa semana entre o natal e o ano novo seja o momento de refletir e fazer um balanço sobre tudo aquilo realizado nos doze meses que findam.

A partir desse ponto de vista, desejo a tod@s um ótimo Natal.

***

Em tempo: Ainda sobre o Natal…

Bem que poderíamos fazer dos festejos do natal algo mais próximo da nossa cultura. Nada de papai Noel com roupas do ártico, nada de neve artificial, nem daqueles filmes americanos bobos.

Quanto à árvore de natal, para aqueles que fazem questão, ao invés do patético pinheiro de plástico, sugiro enfeitar um mandacaru ou uma macambira. O que acham?

6 respostas para Então, é natal?

  1. Jeremias, na realidade o período que hoje conhecemos como Natal em nada tem a ver com a tradição do nascimento de Jesus, já, que, para ser bem sincero apenas no século 20 a igreja católica se fixou na data de 25 de dezembro, pois havia muitas dúvidas sobre a data exata, sendo que em muitas tradições as datas variam até o dia 6 de janeiro, que aqui comemoramos o dia dos reis magos. O fato de se usar o dia 25 se remete as tradições das religioes pagãs que comemoravam o solstício de inverno, sendo também datas religiosas associadas as mais diversas deidades. O cristianismo assimilou isso quando precisou se disseminar entre os povos diferentes.
    Mas, olha, eu concordo com tudo no seu texto. Parabéns.
    Alias, eu sugiro assistir a animação Os Fantasmas de Scrooge, baseada na obra de Charles Dickens, muito boa reflexão sobre o natal, voce vai adorar.

  2. Caro Gilberd, que bom vê-lo por aqui.
    Independente das tradições da igreja, acho que deveríamos ficar mais alertas quanto ao apelo para o consumo. Pra mim a atual configuração do nosso sistema econômico é fonte de injustiças que envergonham qualquer ser humano. A desigualdade social é uma dessas grandes injustiças.
    Agradeço muito pelos esclarecimentos, vou dar uma busca na animação que você sugeriu.
    Grande abraço amigo!

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