Interagindo sempre

Há quem diga que a internet veio para acabar com as relações interpessoais, que os humanos cada vez mais vão interagir apenas com as máquinas, que isso é uma catástrofe irreversível que nem os filmes de ficção científica mais ousados conseguiram prever décadas atrás…

E se não for bem assim?

Bem que poderíamos deixar de ser catastróficos com o que é novo e pensarmos que a internet ao invés de tolher a relação entre as pessoas, pode é ampliá-las. Por exemplo, no mundo atual, vivendo em uma grande cidade é bem provável que você não conheça seu vizinho, mas, com certeza, você conhece e interage com pessoas de vários pontos do país, talvez até de lugares distantes do mundo através da rede.

Na verdade, há um componente novo nas relações estabelecidas através da rede: a liberdade. As relações no mundo virtual continuam sendo relações humanas obviamente, entretanto, dificilmente alguém se relacionará com pessoas das quais a companhia não lhes agrada. Diferentemente das relações estabelecidas no ambiente familiar ou no trabalho, por exemplo, das quais geralmente não se pode fugir e que por vezes pode ser difícil de enfrentar para alguns.

Conviver com os outros é uma necessidade básica dos humanos, no mundo das redes o lugar de conversar, interagir e compartilhar sentimentos são as redes sociais, os comunicadores instantâneos, etc.

O fato é que o desenvolvimento dessas novas ferramentas de comunicação tem mudado profundamente a forma de interação entre as pessoas, para o bem e para o mal.

Lendo Dostoiésvki

Nos últimos anos, meio sem querer, acabei criando uma tradição nesse período de fim/início de ano, a de ler uma obra de Dostoiévski. Há uma boa explicação para isso, suas obras costumam passar facilmente das 700 páginas, o que complica um pouco conciliar sua leitura com as atividades do dia a dia. Nessa brincadeira li nos últimos anos, “Crime e castigo”, “O Idiota” e “O jogador”, que tem o volume bem menor que os citados, mas nem por isso é menos genial.

O velho Dostoiévski tem, como poucos autores, a incrível capacidade de envolver o leitor em suas histórias. Para quem inicia em sua obra há nos primeiros capítulos uma certa dificuldade com os nomes russos e suas variações, mas nada que um pouco de insistência não possa vencer. Depois você já se envolveu na história e aí o difícil é largar o livro.

O que mais me atrai em seus livros é a descrição apurada da personalidade das suas personagens. A partir delas as tramas ganham forma, como uma grande teia, como um tecido espesso e bem trabalhado, que se forma a partir de fios finos e frágeis. Ao longo de cada livro, conhecemos bem a personalidade de cada uma e como suas ações pouco a pouco vão se fundamentando.

Nada acontece por acaso, todos os acontecimentos importantes são cercados por um conjunto situações e de sentimentos muito bem detalhados. O autor descreve como as ações se constroem pouco a pouco na cabeça de cada um, a partir do contexto vivenciado, a partir do lugar social em que estão inseridos e como após cada acontecimento, os costumes e valores interferem nas ações individuais, indo do cálculo que precede cada ação até o desenrolar das suas conseqüências.

Dostoiévski dá alma às personagens, fala do individual, mas de forma universal. Em sua forma de escrever pouco importa se suas histórias se passam na Rússia do Século XIX ou em qualquer outra parte, pois, o autor ao retratar os valores humanos e os dilemas vivenciados individualmente, ultrapassa as fronteiras espaciais e também, porque não dizer, temporais, dialogando com pessoas de todas as épocas.

Se você ainda não leu, vale a pena ir a uma biblioteca ou procurar alguma de suas obras na internet. Existem, também, algumas comunidades no Orkut nas quais se discutem a obra do autor. #ficaadica

P.S. Esse texto foi reencontrado numa pasta do meu HD, escrito no fim de 2010, achava que já o tinha postado aqui, na verdade não tenho certeza. Reli rapidamente, aparei umas duas arestas e foi.

Férias para que te quero…

Férias são imprescindíveis na vida de um ser humano. Por mais que se goste de trabalhar, e por mais que se goste de fazer isso a maior parte do tempo, chega uma hora que o corpo e a mente pedem um descanso.

No mês de dezembro passado aproveitei um mês de férias como nunca. Não sei quando terei a oportunidade de ter outras férias tão boas quanto essas. Não viajei para o exterior, não gastei o que não tinha. Ao contrário, aproveitei as coisas simples da vida. Coloquei a família no carro e viajei pelo interior do nosso Estado. Encontramos parentes e amigos que há muito não víamos, visitamos lugares marcantes para a nossa infância e nesse percurso nos divertimos muito.

Esses trinta dias me fizeram voltar, com mais vontade de trabalhar, estudar e voltar à rotina de que tanto gosto.

Um detalhe interessante dessas férias é o fato de quase não ter tirado fotos. Na realidade não lembro de ter feito se quer uma única imagem. Apenas algumas foram feitas por minha mulher. Acho que aquelas imagens não clicadas vão ficar registradas no melhor lugar possível, em nossas memórias.